Gestão Empresarial: As Decisões que Podem Mudar o Seu Negócio Até ao Final de 2026
Caro empresário,
Agosto tem uma característica perigosa: dá-nos a sensação de que ainda havia tempo. Tempo para decidir em setembro, para corrigir no último trimestre, para resolver aquela contratação, atacar aquele problema de margem, reorganizar a equipa ou, finalmente, enfrentar aquela decisão que há meses sabemos que precisa de ser tomada.
Mas há uma verdade desconfortável: o ano não está à nossa espera.
Entramos agora no último terço de 2026 e aquilo que não decidir nas próximas semanas dificilmente terá tempo de produzir um impacto relevante antes do final do ano. Enquanto muitos descansaram, o mundo não parou. As tensões geopolíticas voltaram a pressionar a energia, as barreiras comerciais continuaram a crescer, a Europa procurou adaptar-se a uma economia mundial menos previsível e a inteligência artificial continuou a avançar a uma velocidade extraordinária, criando oportunidades para uns e tornando modelos de negócio obsoletos para outros.
Os mercados voltaram, assim, a recordar-nos aquilo que tantas vezes esquecemos: a estabilidade nunca é garantida. Podemos lamentar o contexto ou podemos preparar-nos melhor para ele. É essa parte que controlamos.
Ao longo de mais de 20 anos a acompanhar empresas, encontrei muitas vezes empresários que sabiam perfeitamente o que tinham de fazer. O problema não era falta de informação, mas falta de decisão. Sabiam que havia uma pessoa errada na equipa, que determinado produto já não tinha margem, que precisavam de aumentar preços, que a área comercial precisava de mudar, que estavam demasiado envolvidos na operação ou que aquele investimento tinha de ser feito.
Mas adiavam. Esperavam por mais informação, por maior segurança ou pelo momento certo. E o momento certo raramente chegou.
Uma das ilusões mais caras da gestão é acreditar que não decidir conserva as coisas como estão. Não conserva. Não decidir também é uma decisão porque, enquanto hesita, os custos continuam, a concorrência continua, a equipa observa, os clientes mudam, a tecnologia avança e o tempo desaparece.
Há decisões que podem ser adiadas e outras que ficam mais caras a cada mês que passa. Saber distinguir umas das outras faz parte da responsabilidade de liderar.
Setembro é normalmente apresentado como o mês do regresso. Eu prefiro vê-lo como o início do ataque final ao ano. Restam quatro meses, o que é muito tempo para quem tem clareza e pouquíssimo para quem continua à espera.
Por isso, antes de regressar completamente à rotina, escolha as decisões que podem realmente mudar o seu ano. Não vinte. Talvez três. Qual é a decisão comercial que já deveria ter tomado? Qual é a decisão sobre pessoas que continua a adiar? Qual é a decisão financeira que pode proteger ou aumentar a sua margem?
Depois, execute.
Não controlamos guerras, tarifas, taxas de juro, o preço da energia ou aquilo que os nossos concorrentes irão fazer. Mas controlamos aquilo que fazemos com a realidade que recebemos, e é aí que começa a responsabilidade empresarial.
Esperar melhores condições é confortável. Construir uma empresa capaz de prosperar em condições imperfeitas é liderança.
Caro empresário,
Agosto está a terminar e, com ele, está a acabar o tempo das intenções para 2026. Os próximos meses serão para resultados.
Há decisões que provavelmente sabe, neste preciso momento, que precisa de tomar. Tome-as com informação suficiente, com ponderação e coragem, mas tome-as. Porque raramente é uma grande decisão errada que condena uma empresa. Muitas vezes, são as decisões certas que o empresário conhecia há muito tempo e tomou tarde demais.
Prepare setembro, escolha as batalhas e ataque o final do ano com tudo aquilo que depende de si.
Com clareza, disciplina e confiança no futuro,
Paulo de Vilhena
