Ainda Vai a Tempo de Mudar os Resultados de 2026

Carta Aberta aos Pequenos Empresários
Ainda Vai a Tempo de Mudar os Resultados de 2026

Caro empresário,

Setembro tem uma energia diferente. As férias acabam, as equipas regressam, as agendas voltam a encher-se e os projetos que ficaram suspensos reaparecem. Durante alguns dias, temos a confortável sensação de que estamos a começar de novo.

Mas não estamos. Estamos a entrar na reta final.

Faltam pouco mais de três meses para terminar 2026 e, nesta altura, já não há muito espaço para intenções. Há espaço para decisões e, sobretudo, para execução.

Regressamos de férias para um mundo que continua longe de estar tranquilo. Os conflitos militares persistem, o Médio Oriente continua a condicionar os mercados energéticos, as grandes potências disputam influência económica e tecnológica e o preço das matérias-primas continua vulnerável a acontecimentos que nenhum empresário português controla.

O petróleo voltou a ultrapassar os 100 dólares por barril durante setembro. A energia continua a pressionar a inflação e os bancos centrais mantêm-se vigilantes. Tudo isto tem consequências nos custos, nas taxas de juro, na confiança, nas decisões de investimento e no bolso dos consumidores.

Seria fácil olhar para este cenário e concluir que devemos esperar. Eu concluo exatamente o contrário.

Porque há outra revolução a acontecer ao mesmo tempo, muito mais silenciosa e provavelmente muito mais importante para o futuro das nossas empresas. A inteligência artificial está a começar a transformar produtividade em resultados.

Aquilo que há poucos anos parecia uma curiosidade tecnológica entrou definitivamente nas empresas. Está a reduzir horas de trabalho administrativo, a acelerar análises, a melhorar processos comerciais e a apoiar programação, marketing, atendimento, operações, investigação e tomada de decisão. E a investigação económica começa a encontrar sinais de que não estamos apenas perante mais uma ferramenta tecnológica, mas perante uma tecnologia com potencial para aumentar a produtividade durante muitos anos.

Talvez por isso exista um aparente paradoxo neste momento. Temos guerras, energia cara, inflação e enorme incerteza geopolítica e, apesar disso, a economia tem demonstrado uma resistência que surpreendeu muitos analistas. O BCE reviu mesmo em alta as previsões de crescimento da Zona Euro para 2026 e 2027.

Não quero retirar daqui conclusões precipitadas, mas há uma que me parece evidente: enquanto uns discutem o medo que a tecnologia pode provocar, outros estão a utilizá-la para produzir mais, melhor e mais depressa. E essa diferença vai aparecer nos resultados.

Há aqui uma lição importante para qualquer empresário: não controlamos o mundo que recebemos, mas somos responsáveis pela empresa que construímos dentro dele.

Pode passar horas a discutir guerras, governos, petróleo, inflação, impostos ou taxas de juro. Algumas dessas preocupações são absolutamente legítimas, mas nenhuma paga salários no final do mês, aumenta a produtividade da sua equipa, melhora a sua margem ou conquista um cliente.

Há um momento em que temos de deixar de discutir aquilo que não controlamos e voltar a trabalhar naquilo que depende de nós. E setembro é esse momento.

Ao longo de mais de 20 anos a trabalhar com empresários, aprendi que os últimos meses do ano têm uma característica interessante: são suficientemente longos para mudar um resultado e suficientemente curtos para obrigar a escolher.

Não pode fazer tudo. Por isso, escolha.

Qual é a decisão comercial que pode realmente alterar as vendas até dezembro? Onde está a perder margem? Que processo pode automatizar? Onde pode utilizar inteligência artificial para aumentar a produtividade? Que pessoa precisa de contratar, desenvolver ou substituir? Que projeto deve abandonar para concentrar recursos naquele que realmente interessa?

É isto que eu chamaria de sprint final. E um sprint não significa correr descontroladamente. Significa exatamente o contrário: eliminar distrações, escolher prioridades, concentrar recursos, medir resultados, corrigir rapidamente e executar com intensidade.

Há ainda uma oportunidade que não deve ignorar. Em períodos de incerteza, muitas empresas ficam paralisadas. Adiam investimento, contratação, decisões e estratégia. Esperam para perceber o que vai acontecer.

É compreensível, mas o mercado não suspende o jogo enquanto esperamos. E quando uma parte da concorrência decide esperar, abre espaço para quem continua a avançar com inteligência.

Não se trata de ser imprudente. Trata-se de conservar o sangue-frio. As melhores oportunidades raramente aparecem quando todos estão confiantes. Aparecem quando muitos estão com medo.

Caro empresário,

As férias acabaram e o ano também começa a acabar.

Olhe para os objetivos que definiu em janeiro. Alguns estarão alcançados, outros estarão atrasados e haverá certamente alguns que já percebeu que precisam de ser abandonados. Tudo bem.

Não controlamos tudo aquilo que nos acontece, mas continuamos responsáveis pela decisão seguinte.

Tem pouco mais de três meses. Não desperdice esse tempo a lamentar o contexto. Use tecnologia, proteja a margem, reforce a equipa, fale com clientes, meça, decida e execute.

E faça uma coisa que, em momentos de incerteza, se torna uma enorme vantagem competitiva: mantenha a cabeça fria enquanto outros a perdem.

Porque 2026 ainda não terminou e há anos que são decididos precisamente nos últimos metros.

Prepare o sprint e termine em grande.

Com clareza, disciplina e confiança no futuro,

Paulo de Vilhena